Entrevista Com O Diretor de Pretinho Babylon

Cavi Borges é formado em Economia e atualmente finaliza a faculdade de cinema. É fundador da Cavídeo, locadora alternativa especializada em filmes de arte. Foi um dos responsáveis pela ressurreição do movimento cineclubista no Rio de Janeiro. Atualmente tem se dedicado a difusão do formato curta-metragem através do seu projeto Curtas na Prateleira. Também realizou vários curtas de ficção e documentários. Ano passado ganhou o prêmio de jovem empreendedor do cinema brasileiro e foi representar o país em Londres na etapa internacional. Acabou de finalizar, junto com Emílio Domingues, seu primeiro longa documental, L.A.P.A., que fala do movimento hip-hop do Rio de Janeiro.

©CinePE

Qual a idéia por trás do Pretinho Babylon?

O Pretinho é uma espécie de refilmagem de um clássico filme jamaicano de 1978 chamado Rockers. Nesse original, os atores eram músicos conhecidos de reggae e o filme tinha por objetivo difundir essa música pelo mundo. Assim, tentamos recriar a Jamaica no Rio de Janeiro e também usar apenas músicos como atores. No Pretinho temos Mr. Catra, um ícone do movimento funk, BNegão, outro ícone do hip-hop do Rio, alem de vários outros nomes do cenário musical underground da cidade. As vozes são dubladas toscamente como no Rockers original. A Polysom, última fábrica de vinil do Brasil serve de cenário no início do filme, e assim vai. É uma espécie de musical com trilha composta especialmente para o filme pelo sound system Digitaldubs, que é especializado em música jamaicana.

O filme é um bike-road movie. Como foram pensadas as filmagens e, em especial, a fotografia?

No Rockers, o personagem principal vendia disco pela Jamaica com sua moto toda enfeitada pelos símbolos rastafári. No Pretinho, usamos bicicleta pintada com cores da bandeira da Jamaica. Na fotografia, usamos 2 fotógrafos, um com uma mini-dv onde as cores eram ressaltadas com uma saturação especial e a outro com um super-8 para lembrar a estética dos anos 70 como do Rockers. Queriamos um filme bem colorido e tambem com um look oldschool.

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O filme conta com nomes (atores/artistas) de gêneros que são vistos, de certo modo, como marginais no Brasil, como o funk carioca e o dub. Como vocês chegaram a esses nomes?

Chegamos atraves do Digitaldubs que vem utilizando esses músicos em seus trabalhos, tentando criar e desenvolver o dubstyle no Brasil.

É verdade que a fábrica de vinil que aparece no filme era a única da América Latina e fechou? Como foi filmar lá?

Ficamos quase três meses negociando a filmagem lá. Os donos não queriam deixar, em hipótese nenhuma, pois tinham tido uma experiência traumática no passado. Então, chegamos lá na cara de pau com toda a equipe e forçamos uma barra pra rolar. Queríamos muito filmar lá pois ela fica em Belford Roxo, bairro onde o movimento reggae começou no Rio. Sem falar da própria importância histórica dessa fábrica para a música carioca e brasileira. Infelizmente, logo depois dessa filmagem, a fabrica fechou. Esse deve ser o último registro de lá.

O que você sugere que o público japonês preste atenção em Pretinho Babylon?

É um filme bem difícil pois faz o tempo todo referência a outro filme. Quem viu Rockers fica amarradão nesse filme. Alem das referências, tem a piada da dublagem que os japoneses não vão entender. Tem, também, os atores-músicos que são conhecidos principalmente no Rio e que os japoneses também não vão ter com referência. Acho que o que pode interessar mesmo ao público japonês é a cidade do Rio de Janeiro. Ela é um verdadeiro personagem do filme e mostra um lado mais alternativo que não aparecem nos cartões postais.

1 Comentário »

  1. Entrevista com Luciano Vidigal, diretor de Neguinho & Kika « The Rabadas Em Português disse,

    Junho 23, 2008 @ 1:57 am

    [...] mais novo e eu sou o padrinho que aparece no filme. Tinha esse roteiro escrito há muito tempo e o Cavi [Borges, diretor de Pretinho Babylon] ajudou a botar o projeto pra [...]

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