Entrevista com o diretor Roberto Maxwell
Junho 27, 2008
Roberto Maxwell é formado em geografia pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro e em cinema pela Universidade Estácio de Sá. Realizou mais de uma dúzia de projetos em curta-metragem, nos mais diversos formatos. Um deles, Dekassegui, trata da realidade dos brasileiros vivendo no Japão. Atualmente, faz mestrado em ciências sociais na Universidade de Shizuoka e estuda a questão da identidade dos brasileiros nascidos na Terra do Sol Nascente. Está finalizando o curta-metragem Pátria Amada, Brasil, rodado durante uma intervenção realizada no Brazilian Day de Tóquio, em 2007.

1. Qual é a idéia por trás de Tá Tudo Dominado?
Tá Tudo Dominado foi rodado quando eu ainda era estudante de cinema, no Rio de Janeiro. Quando eu era mais novo, morava na Baixada Fluminense, onde o maior lazer eram os bailes funk. Eu cresci escutando que baile funk era lugar de bandido. Minha família era evangélica e eu, logicamente, nem pensava em ir num baile funk. Mas, é uma cultura muito forte, não tem como você não ser envolvido, mesmo sem ser frequentador. Quando eu entrei para a faculdade de geografia, tive uma colega que era funkeira, conhecia todas as músicas e coreografias. Através dela, fui tendo um olhar diferenciado do funk. Quando, finalmente, eu entrei para a faculdade de cinema, tive a idéia de fazer um documentário que mostrasse as relações entre a classe média e o funk. Porém, nossa personagem furou e eu parti para o desconhecido, com uma câmera e uma pequena equipe. A gente procurou o DJ Marlboro que abriu as portas do mundo do funk para a gente fazer o nosso filme. Daí, visitamos bailes e conhecemos artistas. Pegamos depoimentos com autoridades e o filme se fez na montagem. Fala-se de movimento funk mas, no fundo, o que vimos foi que há muitas vozes e elas entram em embate com a mesma facilidade com que se concordam. E o filme reflete isso.
2. O filme tem diversas cenas de bailes funk. Como foi filmar nesses locais?
Filmamos bailes em quatro locais diferentes. Um foi na Baixada Fluminense, numa área bem distante do centro. Era o típico baile que eu escutava de longe, quando morava por lá. Foi bem bacana, era um baile tranquilo. Depois, fomos à Barra da Tijuca, num baile onde a maioria dos frequentadores era de classe média e alta. O local era uma quadra bacana e tal. Foi um baile bom, mas não tinha o mesmo groove. Depois, fomos ao baile do famoso Castelo das Pedras, na favela do Rio das Pedras. Ali, sim, tivemos um bom naco do que era um baile funk, da capacidade integradora da festa. Como a favela fica perto da Barra da Tijuca, uma espécie de Odaiba do Rio de Janeiro, há gente de todas as classes sociais. No baile, vimos travestis, por exemplo, um grupo que nem sempre é bem-vindo em determinados círculos. Elas estavam lá, bonitas e se divertindo, sem que ninguém as importunasse. Por fim, filmamos uma festa na Rocinha. Foi bacana, também. Mas, era uma festa fechada, voltada para os artistas do funk. Não foi tão badalada.
3. O funk carioca ainda é um ritmo marginal no Brasil, mesmo depois de tanto sucesso?
Muita coisa mudou da época em que filmamos o Tá Tudo Dominado para cá. O funk carioca, hoje, é conhecido internacionalmente. Mas, você vê, o maior artista internacional de funk carioca é o Bonde do Rolê, uma banda de Curitiba, meninos de classe média que, pelo acesso que têm, souberam como e tiveram como internacionalizar o funk. Nada errado nisso, exceto uma coisa: o funkeiro de favela não vai tão longe por algum motivo, não acha? Não creio que seja talento (ou falta dele) mas, sim, acesso. Nisso, o funk ainda é marginal. Quem faz funk no Brasil é pobre e não tem tanta instrução. Portanto, não pode participar da internacionalização do funk. Nem sei se eles querem, mas é fato que não foram eles que chegaram “lá”. Outra coisa bacana é que o funk, assim como o brega do norte do Brasil, representam um tipo de indústria típica de situações de pobreza. Não há grandes gravadoras no funk. Poucos discos chegam às lojas, no formato tradicional, CD com embalagem assim ou assada. A maioria chega direto na mão dos camelôs, os mesmos que vendem CDs piratas de artistas de grandes gravadoras, por um preço que o pobre pode pagar. Aliás, nem todo mundo grava álbum no mundo funk, como ocorre com outros artistas. O funkeiro vive de show. E, para fazer show, ele precisa de uma música. Essa música vai pro baile e, se for aprovada pelos frequentadores, vira sucesso e garante a subsistência do artista e mais renda para a equipe de som. Então, o funk faz um tipo diferente de negócio, fora das grandes gravadoras. Parafraseando Hélio Oiticica, isso é mais que ser marginal. Isso é ser herói.

4. O que você sugere que o público japonês preste atenção em Tá Tudo Dominado?
Acho legal que o público procure entender o funk como um ritmo popular brasileiro. Seria bacana que eles vissem como as pessoas que fazem o estilo são estigmatizadas pela sociedade e, na medida do possível, comparassem essa história com a do samba, no início do século XX. É difícil porque, embora os japoneses conheçam samba e gostem de samba, muitos não conhecem a história do samba. Então, se eles não conseguirem relacionar isso, que eles balancem com o batidão do funk. Isso já vai ser, para mim, uma grande alegria.
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1.
MC CESAR E MC NEGUINHO | Novembro 29, 2008 at 10:15 pm
QUEREMOS GRAVAR NOSSA MUSICA SOMOS DA SAO PAULO APENAS 2 CANTORES É FUNK E NAO FALA
TELEFONE PRA CONTATO 39835481
OBS: NAO TEMOS DINHEIRO PARA PAGAR