Archive for Setembro, 2008
Entrevista com Álvaro Furloni, diretor de Esconde-esconde
O The Rabadas continua no seu caminho de trazer para o Japão o melhor da produção cinematográfica de curta-metragens. Álvaro Furloni é o diretor de Esconde-esconde, um dos filmes mais premiados na recente temporada de festivais de cinema no Brasil. A película mostra, com muito afeto, as duas partes de um casal que lida de formas diferentes com a perda de seu filho.
A dupla que forma o elenco do filme é o grande destaque. Arduíno Colasanti foi um dos atores mais requisitados na época do Cinema Novo, nos anos 60. Uma espécie de “Garoto de Ipanema”, Colasanti virou um mito da época de ouro da Zona Sul carioca. “O Arduíno era bonito, culto, sensível, amigo dos amigos e bem-educado”, diz Ruy Castro no livro Ela É Carioca. Era, também, uma espécie de símbolo sexual de uma época em que os homens eram bem mais reservados e elegantes. Colasanti protagonizou o primeiro nu frontal masculino do cinema brasileiro em Como Era Gostoso O Meu Francês, de Nelson Pereira dos Santos. Surfista e mergulhador, ele foi se afastando paulatinamente do cinema enquanto se dedicava cada vez mais ao mar. Recentemente, passou a ser convidado para mais e mais produções e hoje atua mais ou menos por hobby, em filmes de amigos.
Já Susanna Kruger é uma mulher de teatro. Autora, diretora e atriz, Susanna é fundadora da Companhia de Teatro Laura Alvim, uma das responsável pelo renascimento do teatro no Rio de Janeiro, nos anos 1990, com um trabalho sério e extenso de formação de atores e platéia.
Nesta entrevista, o diretor Álvaro Furloni fala do processo de criação de Esconde-esconde, da produção do filme, dos atores, projetos futuros e do projeto Sal Grosso, desenvolvido pelo Festival Brasileiro Cinema Universitário e que reúne estudantes de cinema de várias faculdades para a produção de um filme.
1. Como foi o processo de criação do roteiro de Esconde-esconde? De onde veio a idéia?
O roteiro surgiu a partir de uma imagem que me veio à cabeça há alguns anos atrás: o de uma mulher escondida embaixo da cama, brincando com um filho imaginário. Em seguida, pensei no marido que, para não fazer a mulher sofrer, aceitava participar conscientemente da brincadeira. Acho o personagem dele ainda mais trágico do que o dela, mesmo sem a reviravolta no fim do filme. Aliás, só fui colocar o roteiro no papel dois anos depois de ter tido essa idéia porque na época não consegui pensar em uma forma visualmente interessante de mostrar essa reviravolta. Então, um dia instalaram uma câmera de segurança no elevador do meu prédio e eu encontrei a peça que faltava para fechar a história.
2. Um dos grandes trunfos do filme é a fotografia e a câmera. Como vocês pensaram os enquadramentos e a iluminação? E, claro, por que a opção pelo preto & branco?
Ao contrário do colorido, que em geral evoca a realidade nas imagens, o preto e branco traz consigo uma atemporalidade e um certo tom trágico que eram perfeitos para o Esconde-esconde. Sempre visualizei a história do Amaro e da Regina em p&b e, apesar do receio de ficar associado a uma determinada estética (os meus dois curtas anteriores também eram preto e branco), preferi manter a idéia original. Outra coisa interessante na fotografia do Esconde-esconde é que não foi usado tripé em nenhum dos planos, mesmo nos fixos. A idéia era contrapor a leve flutuação decorrente da câmera na mão à rigidez dos planos da câmera de segurança, completamente estáticos.
3. Outro grande trunfo são os atores. O Colasanti é um dos ícones do Cinema Novo, mas sua atividade principal hoje é outra. Foi difícil convencê-lo a dar um tempinho no mergulho para as filmagens? Já a Susanna é uma atriz de teatro, se é que existe isso… Como eles se agregaram ao projeto?
Embora tenha se afastado das telas, o Arduíno (Colasanti) nunca deixou de gostar de cinema e fez algumas participações pequenas em longas-metragens e até em curtas universitários, sem receber nada, apenas pelo prazer de participar de um set de filmagens. Nós já tínhamos trabalhado juntos no meu filme de conclusão do curso de cinema da UFF, o Holanda (que só agora está ficando pronto) e a sua escolha para o papel do Amaro foi muito natural. O Arduíno é um ator muito bom, capaz de transmitir o sentimento desejado de uma forma sutil, com um olhar ou pequeno gesto. Além disso, ele é uma pessoa incrível e foi ótimo tê-lo no set, contando histórias da sua época de galã do cinema novo. A Susanna, por sua vez, é realmente uma atriz mais conhecida pelo seu trabalho no teatro. No entanto, o seu talento para atuar com certeza não se limita aos palcos. Eu a conheci durante as filmagens de um curta em que trabalhei como técnico de som e percebi na hora que, mesmo sendo muito jovem para o papel, ela seria capaz de fazer uma personagem complexa como a Regina, ao mesmo tempo triste e brincalhona.
4. Fale um pouco do projeto Sal Grosso e da importância dele dentro do panorama da produção universitária brasileira:
A premissa básica do projeto Sal Grosso, que já está na sua oitava edição, é reunir estudantes das principais universidades de cinema do Brasil na produção de um curta-metragem. O roteiro é escolhido anualmente a partir de uma oficina realizada durante o Festival Brasileiro de Cinema Universitário e cada departamento técnico do filme (fotografia, arte, som e montagem) fica sob responsabilidade de uma determinada universidade, que indica os alunos escolhidos para desempenhar essas funções. Naturalmente, esse processo pouco comum de formação da equipe implica em algumas dificuldades durante as filmagens, mas a troca de experiências que ocorre no set é muito válida para a formação dos alunos envolvidos com o projeto.
5. O filme tem arrebatado prêmios nos festivais onde passa. Que dimensão esses prêmios ganham na tua carreira como diretor?
Acredito que mais importante até do que os prêmios, é o fato do Esconde-esconde ter sido selecionado para a maioria dos festivais em que foi inscrito, o que significa que muita gente teve a oportunidade de assistir ao filme. O principal objetivo de quem faz curtas-metragens é poder mostrar o seu trabalho para o maior número possível de pessoas e, nesse sentido, o Esconde-esconde superou todas as minhas expectativas. Foi provavelmente um dos dez curtas brasileiros mais assistidos entre 2007 e 2008, algo excelente para a carreira de um diretor que está começando agora, como é o meu caso.

6. O filme ainda está fazendo o circuito de festivais. Porém, você já está engajado em outros projetos? Quais?
Coincidentemente, o Holanda, curta que co-dirigi com Lígia Diogo, minha mulher, está ficando pronto no exato momento em que o Esconde-Esconde encerra o seu ciclo de participações em festivais aqui no Brasil. Embora também tenha o Arduíno como protagonista, o Holanda é muito distinto do Esconde-Esconde. Não só pelo fato de ser colorido, mas também por ser mais ousado estética e narrativamente. A idéia é estreá-lo em outubro, mas um teaser já está disponível para visualização na internet:
O The Rabadas Cinema Clube Vol.3 acontece no dia 05 de outubro de 2008, no Que Bom Restaurante, em Asakusa, Tóquio. Mais informações, clique aqui.
4 comments Setembro 27, 2008
Entrevista com o diretor de “Ícarus”
1. Como surgiu a idéia do filme Ícarus?
A idéia saiu de uma conversa com meu filho (na época com apenas 2 anos de idade), depois de eu contar pra ele uma versão simplificada da história que depois se transformou no filme. Inventei na hora o conceito do menino que nunca via o pai e da forma sutil que se comunicavam, através do robô. Ele demonstrou muita emoção após o término da história, por isso quis extrair dele a interpretação que teve. Fiquei surpreso, pois ele de fato tinha entendido profundamente o que eu pretendia passar. Fiquei surpreso, também, de minha história improvisada e “gestual” ter agido dessa forma muito mais intensa do que eu previa. Portanto, achei que valia a pena investir nesse conceito e, então, fiz um tratamento de roteiro, que foi mudando muito com o passar do tempo, surgiram outras camadas.
2. Conte-nos como foi o processo de produção de Ícarus. Que técnicas foram usadas? Quanto tempo demorou entre a pré-produção e a cópia final?
A produção demorou 2 anos. Poderia ter sido muito menos caso a técnica (stop motion e CG, computação gráfica) não se demonstrassem tão mais complexas do que imaginei a princípio e, também, por problemas de produção.
Mas [se considerarmos] desde a idéia original foi muito mais [tempo] que isso. Foram quase 5 anos desde o roteiro pronto. Essa demora foi por conta do tempo para se conseguir patrocínio, também.
O filme é bem complexo tecnicamente. Os bonecos são bem grandes por conta da proporção cabeça/corpo. Como a cabeça é muito grande, e o corpo tem que ter um tamanho mínimo pra se animar com qualidade, os bonecos acabaram com em média de 40 a 60 cm e com um peso acima do desejado. Um dos probemas do stop motion é o domínio da gravidade. O tempo inteiro, frame a frame, você luta contra ela, que pode arruinar uma cena que demora dias pra terminar. Alem disso, a inserção dos personagens nos fundos digitais (3D) teve um tremendo planejamento e uma execução na base do erro e acerto. Ajustar a luz, a direção de arte e “atuação” dos personagens foi um desafio que motivou minha equipe mas, ao mesmo tempo, deu margem para alguns contratempos.
3. Você tem se firmado como um dos maiores nomes da animação brasileira contemporânea, com prêmios em diversos festivais. Seus filmes são ricos visualmente e têm um enorme apuro técnico. Como você começou a fazer animação? Quais são as suas influências estéticas?
Felizmente tenho conseguido uma resposta muito bacana com meu trabalho, o que me motiva a continuar mesmo com um mercado tão complicado e recente no Brasil. Comecei a fazer animação brincando com uma handycam na minha adolescência.
Era só uma forma de passar o tempo. Depois, cursei artes plásticas e lá comecei a desenvolver um traço, um estilo. Misturando o expressionismo alemão (primeiro pintura, depois cinema) com cartoon e elementos de cultura pop, filmes de terror clássicos etc. Na própria faculdade, produzi meu primeiro filme profissional (distribuído em festivais) e desde então, meu foco profissional primordial é animação.
4. Na sua opinião, qual a posição da animação brasileira no mercado internacional contemporâneo? E qual a posição do produto brasileiro de animação dentro do mercado doméstico?
A gente vive no Brasil, onde produzir cultura é quase uma “culpa”, por conta dos contrastes que vislumbramos todos os dias. É quase supérfluo, não parece urgente. Pensando por esse lado, mesmo que não seja fácil, as coisas andam bem, pelo menos pra mim. Existe sempre mercado pra quem faz as coisas com vontade e profissionalismo, mesmo num país em desenvolvimento e cheio de impecilhos que não existem em outros países. Por exemplo, minha produtora está produzindo um longa de animação (do qual não participo) e não consegue preencher seu casting de animadores, porque os bons profissionais estão sempre ocupados. Tem muita gente que reclama de falta de espaço mas não se esforça pra atingir seu potencial verdadeiro.
Quanto a posição do produto de animação brasileira no exterior… Ainda não existe, heheh. Existem filmes que conseguem participar e até ganhar prêmios em festivais, mas isso não é mercado, não podemos chamar o curta de produto nesse contexto. Estamos ainda descobrindo, aprendendo qual é nosso nicho. Espero que daqui a algum tempinho eu tenha boas notícias pra te dar.
5. Que projetos você está desenvolvendo no momento?
Estou finalizando um curta novo chamado O Menino Que Plantava Invernos. Devo começar esse mês o próximo curta chamado Tristesse Robot e mais 2 projetos grandes [estarão se] iniciando em breve. Esses são secretos
O The Rabadas Cinema Clube Vol.3 acontece no dia 05 de outubro de 2008, no Que Bom Restaurante, em Asakusa, Tóquio. Mais informações, clique aqui.
1 comment Setembro 24, 2008
Entrevista com Andrea Mendonça, diretora de Artistas Reunidos
Max de Castro, Wilson Simoninha, Luciana Mello, Pedro Mariano e Daniel Carlomagno ficaram conhecido no início dos anos 2000 como uma nova geração da música popular brasileira. Filhos de grandes nomes da MPB (com exceção de Carlomagno), os artistas provaram que tinham luz própria e foram parte de uma grande revolução na forma de produzir e comercializar música no Brasil. Todos eles fizeram parte do núcleo que formou a gravadora Trama, o primeiro selo brasileiro a divulgar seus artistas maciçamente na internet. Antes, porém, eles buscavam um espaço na constelação de astros que é a música brasileira. Para isso, eles criaram o projeto Artistas Reunidos, que começou como uma série de shows coletivos e terminou em disco. Foi a porta que faltava para conduzir os seis jovens ao posto de revelação da MPB. Em Artistas Reunidos, o documentário, os seis artistas relembram os shows que fizeram juntos e o impacto do projeto em suas carreiras e na música produzida desde então. Leia entrevista exclusiva do The Rabadas Cultura Clube com Andrea Mendonça, uma das diretoras do documentário.
1. Quando e como surgiram a idéia e a oportunidade de documentar os Artistas Reunidos?
Em 2002, eu procurava uma idéia para realizar um documentário quando, em uma conversa com a produtora da Luciana Mello, surgiu o assunto Artistas Reunidos. Na hora eu pensei, é isso, meu primeiro curta-metragem será um documentário sobre o Projeto Artistas Reunidos! Falar de uma movimentação entre jovens músicos que promovia a reunião de cantores e compositores da música brasileira, e conseqüentemente incentivavam as jam sessions, seria um belo assunto para documentar, pois eu procurava algo de positivo que estava acontecendo ou tivesse acontecido no Brasil, algo para os brasileiros se orgulharem.
Com a idéia na mão, montei um projeto e conversei com os seis músicos dos Artistas Reunidos: Luciana Mello, Jair Oliveira, Max de Castro, Daniel Carlomagno, Pedro Mariano e Wilson Simoninha. Todos adoraram a idéia do documentário e toparam na hora! Mas a gravação do documentário aconteceu em 2004, quando eu e a Claudia Gonçalves resolvemos realizar o curta de forma independente, sem produtora, reunimos amigos que assim como nós trabalhavam na televisão e tinham muita vontade de realizar um curta. Conseguimos todo o equipamento emprestado e, com vontade e muito trabalho, gravamos o curta!
2. O documentário começa com uma fala do Tom Zé. Qual a intenção dessa referência? Há algum link entre essa geração de músicos que vocês documentam e os anos 70 e a Tropicália, Novos Baianos, Doces Bárbaros e uma série de outros projetos de ¨artistas reunidos¨?
Escolhemos o Tom Zé para “apresentar” os Artistas Reunidos porque ele escreveu o release do cd deles e, também, por ser um grande representante da música brasileira, um músico brasileiro de outra geração apresentando novos músicos nos quais ele acredita e dos quais ele admira o trabalho. Foi essa a idéia.
O link entre os Artistas Reunidos e outros projetos de “artistas reunidos” é a questão da movimentação de músicos para fazerem música no Brasil. Os Artistas Reunidos juntaram-se numa época em que o cenário musical estava fechado. As gravadoras acreditavam que eles não teriam sucesso por serem filhos de pais famosos da MPB! A gravadora Trama ainda não existia. Naquela época, no final dos anos 90, em que o cenário musical estava aberto apenas para o axé music e o pagode e o DJ estava muito em alta, não se fazia música ao vivo. Assim, esses 6 músicos juntaram forças e burlaram a mídia, entrando no cenário musical através da propaganda boca a boca, das pessoas que iam assistir aos shows. Esse “movimento” criado pelos músicos para fazer música e reunir diversos músicos brasileiros nos shows, pode ser relacionado com os “movimentos” de outras gerações.
3. Os artistas que são foco do seu documentário aparecem num momento crucial na indústria musical que é o da popularização da internet e o início da revolução que se tornou o formato digital da comercialização/circulação de músicas. De que modo esse espírito influenciou a criação desses artistas? De que modo essas novas formas colocaram esses artistas numa posição de destaque dentro do cenário musical brasileiro?
Na realidade, essa mudança na indústria musical começou a existir um pouco depois do Projeto Artistas Reunidos, quando eles já haviam sido contratados pela gravadora Trama e lançavam seus primeiros cds solos. Os músicos do Projeto Artistas Reunidos encararam a circulação de mp3 pela internet da seguinte forma: vamos combater a pirataria pela internet, vamos até o estúdio fazer uma versão mp3 profissionalizada com uma boa qualidade de áudio, uma boa opção, até mesmo criando versões exclusivas que só existem na internet.
A circulação de música pela internet tornou-se excelente forma de divulgação desses novos artistas. Um exemplo é Max de Castro, que ficou mais conhecido internacionalmente pela mp3 colocada na internet e, com isso ,foi matéria da Revista Time. Atualmente a venda de músicas online tornou-se característica da gravadora Trama que, vendo a importância disso, criou uma loja virtual.
4. Musicalmente, qual a importância do surgimento desses artistas? O que eles trouxeram de novo dentro do panorama musical brasileiro?
A importância do surgimento dessa nova geração de músicos pertencentes ao Projeto Artistas Reunidos foi conseguir realizar música brasileira de qualidade numa época que o mercado fonográfico estava fechado. Reunir músicos brasileiros de diversas regiões, gerações e estilos para fazer música juntos! Eles incentivaram um espírito de improvisação, a volta das jam sessions que, na época começou um pouco com o Funk Como Le Gusta, mas não tinha muito espaço já que o DJ estava muito em alta.

O The Rabadas Cinema Clube Vol.3 acontece no dia 05 de outubro de 2008, no Que Bom Restaurante, em Asakusa, Tóquio. Mais informações, clique aqui.
Add comment Setembro 23, 2008
The Rabadas Remix@Virgin Cafe
Uau! A camisa ainda está muito suada… Foi uma noite daquelas! Sim, eu estou falando do The Rabadas Remix@Virgin Cafe, o evento com o qual o The Rabadas Cultura Clube lotou o Virgin Cafe no último domingo, 21 de setembro.
Foram mais de 100 pessoas que, apesar da chuva, se deslocaram até Osaki para ver os filmes Manguetown, Tá Tudo Dominado, Pretinho Babylon e Acadêmicos do Morrinho; para dançar ao som dos DJs Aoi Hyuuga, Marcy, Antonio Yodobashi e Alex Fujita; e, também, para curtir o som de Sabrina Hellmeister & Os Amigos Legais e Capoeira & Berimbaque Tribo da Lua.
O DJ The Rabadas Antonio Yodobashi abriu os trabalhos do domingão tocando uma miscelânea que incluiu o trabalho do Digital Dubs Sound System que apareceria logo depois na primeira sessão de filmes do domingo. Acadêmicos do Morrinho e Pretinho Babylon haviam sido apresentados originalmente em eventos anteriores do The Rabadas e muito bem cotados pela audiência. O primeiro é uma animação que mostra as angústias de um MC de funk que vira puxador de samba-enredo. Já o segundo surpreendeu o público japonês por mostrar a ainda desconhecida no país cena dub carioca.
Selecionado por um concurso de DJs no site de relacionamentos Mixi, Aoi Hyuuga seguiu tocando uma miscelânea de música pop e black brasileira, que não deixou de fora nomes como Paula Lima e o rap nacional. O moço esquentou as baterias para a exibição de Tá Tudo Dominado, dirigido pelo rabada Roberto Maxwell, este que vos escreve. Que, sim, caiu no funk embalado pela surpreendente DJ Marcy que tocou músicas de diversas épocas e colocou uma platéia ainda tímida para dançar.
Sabrina Hellmeister & Os Amigos Legais assumiram o palco com a missão de manter o alto astral. A cantora e seus amigos levou samba-soul e fez a galera delirar. Eu, particularmente, dei minha contribuição em uma pequena canja rap. Logo depois da cantora, foi a vez do DJ Antonio Yodobashi assumir as carrapetas à vera. Desde o primeiro evento do grupo, em julho, Yodobashi não para de supreender com seus discos raros e uma seleção de fazer inveja a qualquer um brasileiro que curta MPB.
A Capoeira & Berimbaque Tribo da Lua retomou o clima paz-e-amor de Pretinho Babylon. A rapaziada de cabelo rasta transformou o Virgin Cafe de Osaki numa imensa roda de capoeira. Todo mundo batia palma e acompanhava o ritmo dos atabaques e berimbaus. Após a apresentação, foi o exibido o último filme da noite, Manguetown, um documentário que mostra a força do movimento manguebeat, que colocou Recife no mapa da produção de música pop mundial nos anos 90.
Coube ao DJ Alex Fujita a tarefa de encerrar com chave de ouro a noite. O moço boa-pinta não apenas encheu os olhos da mulherada (e de quem mais estivesse lá para olhar) com seu tipo galã-oriental, como mandou muito bem nas pick-ups colocando povo para dançar com o melhor da produção musical nordestina contemporânea. Fujita, que é organizador do Bem Brasil um dos mais bem-sucedidos eventos de música brasileira de Tóquio, foi a cereja de um bolo que foi degustado pelo público de mais de 100 pessoas, o maior público de um evento organizado pelo The Rabadas Cultura Clube.
Você não estava lá? Só posso dizer que você perdeu mas, antes que comece a lamentar pela ausência, informo que o The Rabadas Cinema Clube Vol. 3 já está a caminho. Rola no dia 5 de outubro (domingo) no Que Bom Restaurante de Asakusa. Eu, se fosse você, não perdia essa… Não é todo dia que tem rabada na mesa!
Confira a programação do The Rabadas Cinema Clube Vol. 3 clicando aqui.
Veja mais fotos…
| Rabadas Remix @ Virgin Cafe |
Add comment Setembro 21, 2008
Entrevista do Dj Coffee Beats
Esta é a primeira vez que o DJ Coffee Beats se apresenta no The Rabadas Cinema Clube. Neste post, o DJ de apenas 22 anos se apresenta ao público do grupo, fala um pouco de suas influências e dá dicas de discos legais de música brasileira. Acompanha:
1. Apresente-se ao público do The Rabadas Cinema Clube e fale um pouco do seu trabalho.
Me chamo Coffee Beats. Toco guitarra na minha banda Gonny Goo Goo e me apresento como DJ toda segunda quinta-feira do mês no Enjoy House, que fica em Ebisu. Lá, eu toco algo mais jazzy hip-hop.
2. Quando e como você passou a ter interesse na música brasileira?
Chegou uma época em que eu parei de ouvir hip-hop. Mas foi por causa dos samplings que comecei a ter interesse por música brasileira. E nessa mesma época eu comecei a estudar o violão da bossa-nova o que, consequentemente, só fez meu interesse aumentar.
3. Diz para gente quais são três discos brasileiros fundamentais para você:
João Gilberto/Águas de Março

Antonio Carlos Jobim / Stone Flower

Adriana Calcanhotto / Adriana Partimpim

4. Que disco brasileiro você tem ouvido recentemente e que você sugeriria ao público do The Rabadas Cinema Clube?
Jorge Ben/A Banda do Zé Pretinho

Aproveitando o fato de que ele virá ao Japão (a entrevista foi realizada antes do show realizado em 7 de setembro no Parque Yoyogi), estou “reescutando” sua música. É um som que faz o corpo dançar.
5. O que você está planejando tocar no próximo The Rabadas Cinema Clube?
Eu quero botar um som que passe uma energia jovem para o público.
O The Rabadas Cinema Clube Vol.3 acontece no dia 05 de outubro de 2008, no Que Bom Restaurante, em Asakusa, Tóquio. Mais informações, clique aqui.
Add comment Setembro 19, 2008
The Rabadas Cinema Clube Vol. 3
Olá galera ligada no The Rabadas!!! Essa é a terceira edição do The Rabadas Cinema Clube. Pela primeira vez vamos apresentar, além dos filmes e DJs, performances ao vivo. Dá uma olhada na programação.
【filmes】
direção Andréa Mendonça e Cláudia Gonçalves
com Luciana Mello, Pedro Mariano, Jair Oliveira, Max de Castro, Wilson Simoninha, Daniel Carlomagno, Tom Zé
sinopse A trajetória dos músicos Luciana Mello, Pedro Mariano, Jair Oliveira, Max de Castro, Wilson Simoninha e Daniel Carlomagno.
Esconde-esconde
(Ficção/14 min/2007)
direção Álvaro Furloni
com Arduíno Colassanti e Susanna Kruger
sinopse Um casal e diferentes maneiras de lidar com a perda de seu único filho.
Ícarus
(Animação/12 min/2007)
direção Victor Hugo Borges
com a voz de Gianfrancesco Guarnieri
sinopse O amor constrói pontes até onde elas não existem.
【DJs】
DJ Coffee Beats (Goony Goo Goo)
DJ Marcy
DJ Antonio Yodobashi (Rabadas)
【ao vivo】
Sabrina Hellmeister & Os Amigos Legais
Zodiac Nova, Pop-Machine & Contemporary System
【detalhes】
local: Que Bom! Brazilian Restaurant
Tokyo-to Taito-ku Nishi-Asakusa 2-15-13 B1F
tel: 03-5826-1538
2008.10.05
18:00 OPEN 18:30 START ~ 23:30
¥2000 + 1 drink
with flyer ¥1500 + 1 drink
Salada bar and mini-buffet ¥500〜
【acesso】
Tokyo Metro Linha Ginza, Est. Tawaramachi, Saída 3, 3 min a pé
【info】
www.therabadas.wordpress.com
rabadas@gmail.com
【patrocínio】
Que Bom Restaurante
http://www.que-bom.com/
1 comment Setembro 17, 2008
The Rabadas Cinema Clube @ Kawasaki Brazilian Festa
Olá, amigos do The Rabadas Cinema Clube. Nós vamos apresentar nosso cineclube no dia 20 de setembro em Kawasaki, como parte da programação do Kawasaki Brazilian Festa. Saca a programação, apareça e convide os amigos:
Cartas
(手紙)

documentário/2004/80 min
diretor: Hélio Ishii
sinopse: Anos 90. Quatro mulheres. Quatro viagens. Um Japão.
português com legendas em japonês
Uma História Severina
(セヴェリナの物語)

documentário/2005/23 min
diretoras: Débora Diniz e Eliane Brum
sinopse: Uma mulher ganha na justiça o direito de abortar um feto sem cérebro. Mas, uma decisão do Suprema Tribunal Federal mudou seu destino.
português com legendas em japonês
Acadêmicos do Morrinho
(モヒーニョ・サンバ・チーム)

animação/2006/9 min
produtor: TV Morrinho
sinopse: Um MC do funk acaba caindo no samba.
português com legendas em japonês
A Missa dos Mortos

ficção/2004/16 minutos
diretor: Roberto Maxwell
sinopse: Três crianças entram numa igreja mal-assombrada
português, sem legendas
Fome
(空腹)

ficção/2001/5 minutos
diretor: Roberto Maxwell
sinopse: Um rapaz com fome vai às compras
não há diálogos
Dekassegui (versão 3.0)
(デカセギ)

ficção/documentário/2008/10 minutos
diretor: Roberto Maxwell
sinopse: Brasileiro? Japonês? Um brasileiro descendente de japoneses vive perto de suas raízes e longe de sua casa.
português/japonês com legendas em japonês e português
Pátria Amada, Brasil (Pré-estréia)
documentário/2008/18 minutos
criação: Roberto Maxwell e Sabrina Hellmeister
sinopse: No Japão, vivem cerca de 320 mil brasileiros. Alguns deles têm uma mensagem especial para o Brasil.
português sem legendas
Kage
(影)
ficção/2008/9 minutos
diretor: Rafael Irie
sinopse: Órfã e sem rumo, a japonesa Masaki vai ao Brasil para ficar perto de Shin’Ichi, seu primeiro amor.
português e japonês com legendas
programa
10:40 – Sessão Criança: A Missa dos Mortos
11:00 – Sessão Criança: Acadêmicos do Morrinho
13:10 – Sessão dupla: Fome + Kage
13:30 – Dekassegui
13:40 – Sessão Criança: A Missa dos Mortos
14:05 – Sessão Criança: Acadêmicos do Morrinho
14:20 – Uma História Severina
14:50 – Pré-estréia: Pátria Amada, Brasil
15:30 – Cartas
Como chegar

Da estação “Motosumiyoshi”, descer a escada (esquerdo). Seguindo à esquerda encontra-se a rua Bremen dori. Siga a avenida cerca de 240m ao lado direito encontrará o Banco Yokohama (Yokohama Ginko). Siga em frente mais 240m e no mesmo lado direito encontrará a peixaria Suzuki (Suzuki Suisan) e o poste de indicação até o Centro.
Dobre esta esquina à direita e caminhe cerca de 150m baterá numa rua que segue para direita e esquerda. Dobre à esquerda e logo adiante verá a placa do centro escrito em 5 línguas, contorne esta placa que chegará na entrada principal do Centro, é um prédio de 3 andares de cor azul.
(Do Bremen Shoten Gai até a peixaria Suzuki no meida da rua também encontrará o piso indicando até o Centro).
1 comment Setembro 16, 2008
Rabadas Remix @ Virgin Cafe – Entrevista
21 de setembro é o dia que você vai ter mais uma chance de assistir os filmes que fizeram a cabeça dos espectadores nos dois primeiros eventos organizados pelo The Rabadas Cinema Clube. Um desses filmes é Manguetown, um documentário que disseca o movimento manguebeat. Leia a entrevista exclusiva com Pedro Paulo Carneiro, diretor do filme.
Rabadas: Qual a idéia que levou você a fazer “Manguetown”?
Pedro Paulo: Ao conhecer Chico Science, imediatamente ficamos amigos. Desde então, tive a ideia de documentar o nascimento do movimento Manguebeat.
R: Conte um pouco do seu envolvimento com o Chico Science e com a galera do Manguebeat.PP: Em 1989, visitei a cidade do Recife para um dirigir um vídeo sobre os mangues. Conheci Chico no Alto Zé do Pinho (uma comunidade da cidade) quando ele ainda era b-boy e tocava numa banda chamada Lostal. Ele vestia terno de 4 botões e usava cabelão black power. Desde o primeiro momento, sentimos afinidades que foram se cristalizando quando ele começou a vir mais para o sul, divulgar seu primeiro disco. Fui eu quem o levou em sua primeira visita à Europa. Com sua morte, me senti na obrigação moral de manter na mídia o movimento, com seus representantes. Daí passei a documentar, desde 1998, toda e qualquer manifestação cultural que viesse deste núcleo.
R: O Mangue, como estilo e forma de expressão artística, como surgiu? Qual foi seu impacto na cultura popular brasileira?
PP: O Manguebeat nasceu de um “insight” de Chico quando estava observando os manguezais. Na época, Recife estava entre as 10 piores cidades do mundo para se vier, segundo o IDH (Índice de Desenvolvimento Humano). Os mangues eram soterrados para construções de prédios, nas radios só tocavam música estrangeira ou baiana e quase 50% da população morava em favelas. O que era apenas um ritmo na cabeça de Chico se transformou num movimento que colocou a cidade do Recife no mapa da produção pop e cultural brasileira. O cabeça do movimento, na verdade, é Fred 04 (band leader do Mundo Livre S/A), que escreveu o manifesto mangue. Chico era, por assim dizer, o “messias” e RENATO L (jornalista) o “ministro da informação” ou quem “vazou”para a imprensa nacional o que estava acontecendo.
O impacto na cultura popular brasileira é imenso
R: Qual a sua ligação da galera do mangue beat e com o carnaval de Olinda?
PP: Minha ligação é quase espiritual. A partir do momento em que ouvi o CD Da Lama Ao Caos, algo dentro de mim mudou para sempre. Foi como se meus olhos se abrissem, enfim… Sou mais ligado ao carnaval do Recife que é, efetivamente, o mais tradicional e respeita as origens culturais. Não gosto muito do de OLINDA em virtude de se aproximar muito do carnaval baiano, onde a maior preocupação não é a manifestação cultural. Atualmente, estou finalizando um longa metragen chamado Recife Beat.
R: Quais foram as bandas e os discos seminais do manguebeat?
PP: Sem sombra de dúvidas Da Lama Ao Caos (Chico Science & Nação Zumbí) e Carnaval Na Obra (mundo livre S/A).
R: A morte do Chico Science foi algo completamente surpreendente. Qual foi o legado que ele deixou?
PP: Um legado de batalha e luta pela popularização da cultura pernambucana.
R: O Manguebeat acabou com a morte dele?
PP: De forma alguma, a filosofia do manguebeat permanence trazendo novos nomes para a cena brasileira como Mombojó, Mula Manca, Maquinado e outros projetos na area de música, cinema e artes plásticas.
R: Que rumo aquela galera tomou depois da morte dele?
PP: O primeiro momento foi caótico. A Nação Zumbi ficou órfã de seu vocalista e mentor intelectual. Mas tudo foi superado, tendo a própria NZ se transformado na melhor banda de rock (?) do Brasil, segundo pesquisa das revistas Bizz e Rolling Stone e da MTV BRASIL.
Assista Manguetown no Rabadas Remix @ Virgin Cafe.
Clique aqui para mais informações.
Add comment Setembro 11, 2008
Brazilian Day: sucesso e Sabrina
Você foi ao Brazilian Day em Tóquio? Bem, eu fui. Oportunidade única para rever um monte de amigos, conhecer gente nova e, sobretudo, ver a sereia do The Rabadas Cultura Clube, Sabrina Hellmeister, cantar num grande palco. Sabrina teve que levantar cedo para estar na ribalta às 11:45 e quem madrugou não se arrependeu. Ela fez um repertório cheio de suíngue, pra ninguém ficar parado.

Gostinho de quero mais? Bem, Sabrina vai estar no palco dos próximos dois eventos do The Rabadas Cinema Clube. Confere a programação clicando abaixo:
Rabadas Remix @ Virgin Cafe
21 de setembro
The Rabadas Cinema Clube Vol. 3
5 de outubro
Quer mais Sabrina?
Assista ao trailler do primeiro filme da moça, Pátria Amada, Brasil, a primeira super-produção cinematográfica do The Rabadas Cinema Clube.
Add comment Setembro 8, 2008
Brazilian Day In Tokyo

Começa a contagem regressiva para a 3a. edição do Brazilian Day em Tóquio. O evento rola nos dias 6 e 7 de setembro. As grandes atrações deste ano são o Olodum, um dos maiores grupos de percussão do Brasil, e o cantor Jorge Ben Jor. Dentre outras atrações, estará se apresentando no domingo a cantora Sabrina Hellmeister, membro do The Rabadas Cultura Clube. Ela se apresenta no domingo (dia 7) às 11:45.
Veja a programação completa no site
Add comment Setembro 1, 2008
















