Archive for Março, 2009

Encontros e desencontros no Rio de Janeiro

Print

por Edweine Loureiro

Quem nunca passou pela experiência de um desencontro? Mais: quem nunca, vivendo fora da cidade natal, não ficou feliz por encontrar, casualmente, um conterrâneo? Se na vida tais casualidades têm originado dramas e comédias, no cinema, então, o tema tem rendido tanto pérolas do tipo Encontros e Desencontros de Sofia Coppola (2003) como verdadeiros clássicos da sétima arte, por exemplo, Luzes da Cidade de Charles Chaplin (1931).

E o tema do desencontro vem mais uma vez à tona no brasileiríssimo curta Engano de Cavi Borges, o mesmo realizador de Pretinho Babylon, exibido em terras nipônicas no ano passado. caviRodado em 35 mm e usando dois planos-sequência, Engano relata a história de um (des)encontro pelas ruas do Rio de Janeiro. Quando o gaúcho Marcelo, a caminho de uma audição, liga para avisar que chegará atrasado, acaba, por engano, discando o número de – isso mesmo! – outra gaúcha, também a caminho de um teste. Ele, imediatamente, mostra-se entusiasmado com a possibilidade de encontrar a conterrânea; mas ela demonstra certa relutância, além de estar, é claro, apressada rumo à audição. A trama se desenrola em duas ações simultâneas, com a tela dividida em dois quadro, expediente utilizado no experimental Time Code do diretor americano Mike Figgis.

Talentosíssimos, os atores Felipe Mônaco e Miila Derzett sustentam o curta com interpretações seguras provando, mais uma vez, que o Brasil possui uma nova geração de excelentes atores, prontos para serem descobertos. Não para menos, ambas interpretações foram premiadas em festivais no ano de 2008: enquanto Mônaco ficou com o troféu de melhor ator no Brazilian Film Festival, Milla faturou o prêmio de melhor atriz no Festival de Curtas de Cabo Frio. Engano levou 9 prêmios pelo Brasil afora, tendo sido sendo prestigiado como melhor curta em 35 mm pelo Júri Popular do Festival Curta de Sergipe, em 2008. Quer mais? Pois então lá vai: esse curta tri-legal também poderá ser visto, em breve, pelo público japonês: Engano faz parte da programação do The Rabadas Cinema Clube Vol. 5 que rola no próximo dia 12 de abril em Tóquio. A programação completa do The Rabadas Cinema Clube Vol. 5 você checa aqui.

Add comment Março 31, 2009

Willie Whopper

Print

Há muito tempo o Rabadas vem pensando em convidar o Willie Whopper para tocar. Ele tem uma das mais interessantes casas brasileiras de Tóquio, o Bar Aparecida, além de ser um incansável divulgador da música brasileira no Japão. Com vocês, um pequena conversa com o Willie.

williepeq11. Como você passou a se interessar pela música brasileira?
Foi em 1986, quando eu assisti à primeira vez que o Tom Jobim se apresentou na TV japonesa. Em 2002, eu fui ao Brasil pela primeira vez e tive um choque ao ter contato com a cena musical in loco e basicamente procuro divulgar a música contemporânea [no Japão]. (Claro que eu também gosto de música antiga.)

2. Cite 3 obras que você ache que são fundamentais na música brasileira:
Todos os trabalhos da Elis Regina (porque ela é uma cantora que representa o universo da música brasileira)
Todos os trabalhos da Ivete Sangalo (porque ela é uma cantora que representa o universo da música brasileira contemporânea)
Todos os trabalhos do Renato Braz (ele é meu amigo e é um artista magnífico)

3. O que você tem ouvido de música brasileira atual?
Malu Magalhães, Voadois, Aviões do Forró e outros tecno-bregas.

4. Conta pros fãs do The Rabadas o que você pretende tocar no próximo evento?
Como me pediram para tocar funk carioca, vai ser funk carioca. E apesar de, ultimamente, estar sendo remixada por vários artistas de fora, o funk carioca é uma música de resistência brasileira, forjada no Rio de Janeiro e também chamada [no Brasil] de funk nacional.

A programação completa do The Rabadas Cinema Clube Vol. 5 você checa aqui.

Add comment Março 26, 2009

Onde o samba nasce

Print

por Edweine Loureiro

ft-jaqueirao-zeca-e-jamelaoNo Aurélio, a palavra pagode pode ser definida tanto como “um gênero de samba” ou “uma reunião onde se canta o pagode”. Ambas as definições traduzem perfeitamente o que é O Jaqueirão do Zeca, um documentário de muita ginga sobre o processo de criação musical. E o maestro em questão? Isso mesmo: o impagável Zeca Pagodinho.

Hoje mais um intérprete do que propriamente um compositor, Jessé Gomes da Silva Filho (Zeca) deu os primeiros passos na Música Popular Brasileira com um samba de sua autoria – “Camarão que dorme a onda leva”. O ano era 1981 e, desde então, o sambista tornou-se não somente um dos grandes nomes da MPB, mas, usando as palavras de outro grande nome do samba – o compositor Nei Lopes – “uma das poucas unanimidades nacionais, elevado ao patamar do mega-estrelato pop pelas gravadoras”.

E um dos segredos para tanto sucesso? Parceria. Para Zeca, o samba não é produto de um homem só, mas, antes de tudo, o fruto de uma criação coletiva. E o sambista deixa isso bem claro nas gravações de seus álbuns, fazendo questão de valorizar cada um dos parceiros, não somente no momento da criação, mas principalmente no produto final: Zeca não esquece o nome de cada artista que contribuiu na trajetória dos disco. Um exemplo disso é a presença de nada menos que 42 instrumentistas, entre outros artistas, em dois de seus últimos lançamentos – Acústico MTV de 2003 e Acústico MTV de 2006.

jaqueirao-peqÉ justamente essa valorização da parceria que o documentário dos diretores Denise Moraes e Ricardo Bravo retrata. Durante 18 minutos, é apresentada uma roda de samba, onde Zeca Pagodinho reúne amigos para, além das cervejas e da descontração, descobrir novas canções para seu já aclamado repertório. Tudo em um clima de leveza, mas também de muito rítmo, que contagia o espectador.

O curta recebeu em 2004 os Prêmios do Festival do Rio e da Associação de Documentaristas e Curta-Metragistas (ABD e C) do Rio de Janeiro. Aliás, o júri da ABD, ao premiar a película, acabou também por conferir-lhe uma de suas melhores definições, ressaltando a “força e simplicidade com que mostra sambistas quase anônimos com imagens e sons de grande sensibilidade e delicadeza”. Ainda segundo as palavras da ABD, “o filme contribui para que o espectador possa vislumbrar uma forma de estar no mundo, em que a arte e a resistência se conjugam em favor de uma afirmação cultural”. Simplesmente imperdível.

O documentário O Jaqueirão do Zeca será uma das principais atrações do The Rabadas Cinema Clube Vol. 5, que se realizará no próximo dia 12 de abril, no Que Bom Restaurante, em Tóquio.

A programação completa do The Rabadas Cinema Clube Vol. 5 você checa aqui.

Add comment Março 22, 2009

Caldeirão de Ritmos No The Rabadas Cinema Clube Vol. 5

Primeiro The Rabadas Cinema Clube de 2009 aposta num caldeirão de influências e estilos

Print

Já firmado como um dos mais interessantes eventos de cultura brasileira em Tóquio, o The Rabadas Cinema Clube chega à sua quinta edição apostando na mistura de influências e estilos musicais e cinematográficos que promete fervilhar a primavera toquiota.

A grande aposta cinematográfica da noite é o documentário O Jaqueirão do Zeca dos diretores Denise Moraes e Ricardo Bravo. O filme mostra uma grande roda de samba organizada pelo cantor Zeca Pagodinho em sua já lendária casa em Xerém, na região metropolitana do Rio de Janeiro. Pagodinho, que é um dos artistas mais populares do Brasil, organiza rodas de samba onde seus parceiros apresentam novas obras que poderão vir a fazer parte de seu repertório. Regado a muita cerveja, o pagode no chamado “Jaqueirão” mostra como, no Brasil, o samba ainda é uma arte de origem popular.

Para fazer a alegria dos cinéfilos mais inveterados, o grupo selecionou o inusitado Tarantino’s Mind, da dupla de criadores entitulada 300ml. Na película, o personagem vivido por Selton Mello conta que decifrou o que ele chama de “código Tarantino” a um desacreditado Seu Jorge. A tensa e ao mesmo tempo divertida conversa dos dois se torna uma imensa viagem na obra de um dos diretores mais criativos de atualidade.

Completando a trinca de filmes está Engano de Cavi Borges, que já teve seu Pretinho Babylon exibido num dos eventos anteriores do grupo. Neste novo trabalho, o diretor investe num dos ícones do mundo conectado, o telefone celular, para contar a história de um telefonema equivocado que acaba aproximando duas pessoas desconhecidas mas com tantas coisas em comum. Ainda na parte visual, o VJ Hi-analogic KID promete bombardear a galera com imagens e mixagens ensandecidas.

Já o momento musical conta o cantor Arthur Vital (www.myspace.com/arthurvital) que vem despontando como uma das revelações do ano. Recém-chegado a Tóquio, o jovem de 19 anos tem deixado as platéias da cidade boquiabertas com seu samba-canção de cunho rock’n’roll. Bebendo na fonte de músicos como Luiz Melodia e Cartola e empunhando seu violão, Vital mescla repertório próprio com músicas de nomes como Seu Jorge. Da lavra do cantor, destaque para a belíssima Edo, que em versos simples (Pode vir sem medo, Edo/Pode vir em medo que eu vou gostar), conta sua nova experiência na capital japonesa.

imagem3

Saindo do acústico para o eletrônico, a banda Motallica promete não deixar ninguém parado com seu som que traz diversas influências, dentre elas a Tropicália. A música de (des)construção desta dupla japonesa é composta por uma bateria e um lap top dos quais emana um som pulsante e catártico. O grupo também costuma se apresentar com um pequeno robô feito de madeira e engrenagens o qual, literalmente, dança conforme a música, comandado remotamente pelo computador. O Motallica vai contar ainda com a participação da finlandesa Meri, que é artista plástica e está retornando ao seu país depois de uma temporada de residência na capital japonesa.

imagem1

A parte “mecânico-musical” do evento fica por conta de três DJs. Tadatomo Oshima é habitué da Terça, a única festa de black music brasileira do Japão e promete aquecer a galera com muito samba soul. Já Antonio Yodobashi, o residente do The Rabadas Cinema Clube, continua tirando do baú as raridades da MPB dos anos 60 e 70. Por fim, Willie Whopper vai fazer a galera dançar até o chão com o melhor do funk carioca.

O The Rabadas Cinema Clube Vol. 5 rola no Que Bom Restaurante, em Tóquio, no dia 12 de abril de 2009 é organizado pelo coletivo The Rabadas Cultura Clube.

Veja a programação completa aqui.

Add comment Março 13, 2009

Rabadas Udigrudi@Enjoy House

“Quando a gente não pode fazer nada, a gente esculhamba”.
(Paulo Villaça, em
O Bandido da Luz Vermelha, 1967, filme de Rogério Sganzerla)

Nos anos 70, no Brasil, udigrudi era uma corruptela para underground, uma forma abrasileirar essa palavra inglesa que andava em voga entre os jovens da época. Foi no udigrudi brasileiro que surgiram inúmeras bandas, cineastas, artistas plásticos. Era gente como Glauber Rocha, Alceu Valença, Rogério Sganzerla, Zé Ramalho dentre tantos outros nomes que se tornaram referência na arte contemporânea brasileira.
Em reverência a esse grupo (des)organizado, o The Rabadas Cultura Clube acaba de lançar o Rabadas Udigrudi, um evento onde tudo pode acontecer. DJs, performances, poesia e tudo o mais que o público trouxer pode virar material para essa festa coletiva onde os frequentadores são também criadores.
O Rabadas Udigrudi tem entrada franca e acontece no Enjoy! House, em Ebisu, no dia 8 de março.

Serviço

Rabadas Udigrudi@Enjoy! House
data: 8 de março, a partir das 22 horas

local: Enjoy!House
Nishi-Ebisu 2-9-9, 2F
03-5489-1591

Acesso:
Saída leste (nishi guchi) da estação JR Ebisu, siga os passos descritos neste site:
http://www2s.biglobe.ne.jp/dub/gogo/enjoy.html

Add comment Março 8, 2009

The Rabadas Unplugged @ Alvorada

Desplugado mas nem por isso menos eletrizante. Assim foi a primeira versão do Rabadas Unplugged, o novo evento do The Rabadas Cultura Clube. No Unplugged é um filme e uma oportunidade única de conversar com alguém de manja do assunto abordado na obra. Na estréia, o tema foi o funk carioca. Foi exibido o documentário Tá Tudo Dominado de Roberto Maxwell. Em pessoa, o diretor contou as experiências das filmagens e desvendou, para o pequeno público que se arriscou sair na noite fria do último dia 27, as entranhas do funk carioca, o ritmo mais maldito da música popular brasileira, o “punk canarinho” nas palavras de Maxwell. Os japoneses se mostraram interessados em saber da relação entre o funk e a criminalidade e de como a sociedade brasileira vê o “movimento”.

unplugged-sabrina

Depois da sessão de perguntas, foi a vez de Sabrina Hellmeister e Arthur Vital mostrarem um pouco mais da música brasileira. A dupla revisitou o clássico funk “Sou Eu Assim Sem Você”, além de apresentar stages com o melhor da música brasileira. Vital mostrou ainda canções próprias.

unplugged-arthur

O próximo evento do The Rabadas Cultura Clube rola no próximo dia 8. O Rabadas Udigrudi vai levar DJs, poesia e filmes para o Enjoy House de Ebisu. Fique de olho aqui no site porque o evento é gratuito.

udigrudi001Para fechar, confere a primeira gravação de Sabrina Hellmeister, disponibilizada gratuitamente no MySpace.
http://www.myspace.com/sabrinahellmeister

Add comment Março 3, 2009


japan.jpg

Páginas

Pátria Amada, Brasil


um filme de
Roberto Maxwell e Sabrina Hellmeister

produção:
The Rabadas Cultura Clube
:::saiba mais:::

Agenda

The Rabadas Cinema Clube Vol.6
local: Que Bom
data: 14 de junho
info



Nossas Comunidades

Join!







Rabadas Zine

Tópicos recentes

Cliques

Blogroll

Arquivos

Blog Stats

 

Março 2009
S T Q Q S S D
« Fev   Abr »
 1
2345678
9101112131415
16171819202122
23242526272829
3031