Saikoo, em japonês, quer dizer muito bom, de alto nível, ¨irado¨, em bom carioquês. Saikoo é a melhor palavra para resumir o que rolou no restaurante Que Bom! de Asakusa no último dia 3, na segunda edição do The Rabadas Cinema Clube. Tivemos mais de 60 pessoas que curtiram os quatro filmes exibidos e os três DJs que tocaram na noite.
Abertura dos trabalhos foi com o primeiro episódio da série Acadêmicos do Morrinho, que conquistou o público com muita ginga e simpatia. A estória do MC que vira puxador de samba divertiu os japoneses. Depois, a galera curtiu Operação Morengueira, o filme que traz a música de Moreira da Silva como pano-de-fundo para uma chanchada policial na Lapa. O carnaval de Olinda foi a estrela de 40 Dias, um documentário onde o público descobriu que o sagrado e o profano andam de mãos dadas.
Depois de um breve intervalo, onde a galera saboreou o buffet especial preparado para o evento, foram exibidos o segundo episódio de Acadêmicos do Morrinho e o documentário Manguetown, que mostrou a origem e as influências do movimento Manguebeat. Ao final da projeção, o público aplaudiu e teve gente que se emocionou com o belo retrato de Chico Science, morto prematuramente num acidente de carro.

Antonio Yodobashi (foto: Marcelo Ikari)
Depois dos filmes, os DJs incendiaram a pista de dança. Minoru Takahashi fez a festa dos amantes da música soul brasileira. Já Antonio Yodabashi desencavou sucessos dos anos 60 e 70 e botou o povo para dançar. Por fim, Yoshihiro Narita mandou funk carioca e hip-hop, fechando o evento com chave de ouro.

Yoshihiro Narita (foto: Marcelo Ikari)
A segunda edição do The Rabadas Cinema Clube trouxe duas novidades. A primeira, e mais gostosa, foi o buffet de comida brasileira. Nesta edição, os convidados saborearam o melhor dos pratos produzidos pela excelente cozinha do restaurante Que Bom!. Por módicos 1000 ienes, comeu-se salada, arroz, feijoada, almôndegas, linguiça, rabada, cupim e frios variados. Quem optou por algo mais light, pagou 500 ienes pelo buffet de saladas e frios.

Minoru Takahashi (foto: Marcelo Ikari)
Outra grande novidade foi o The Rabadas Zine, onde a galera pôde se informar mais sobre os filmes exibidos. No zine, uma participação mais que especial: a jornalista Bruna Siqueira Campos, do jornal International Press e do blog Panorama Nihon, escreveu um belo texto sobre o carnaval de Olinda. Quem quiser, pode baixar o zine clicando aqui.
A próxima edição do The Rabadas Cinema Clube vai rolar no Que Bom! no dia 5 de outubro. Fique de olho no blog para ter informações.
P.S.: Os dois vencedores dos CDs da Tupiniquim Entertainment e Koala Records foram
Rubens Almeida Miyashiro - CD Pascoal Meirelles Trio
Masahiro Matsuzawa - CD Consuelo de Paula
Ambos serão contactados por e-mail.
P.S.2: Também queremos agradecer a algumas pessoas que foram especialmente ¨especiais¨ nesta edição do The Rabadas Cinema Clube: Marcelo Ikari, Candy Saavedra, BussTrio, Bruna Siqueira Campos, Ricardo Yamamoto e Lyncoln Saito. Também agradecemos ao nosso parceiro Que Bom e aos diretores Chico Serra, Clara Angélica e à produtora RTV de Recife e Pedro Paulo Carneiro. Por fim, agradecemos, ainda, à Tupiniquim Entertainment.
P.S. 3: Apresentamos o nosso mais novo membro: Sarah Chieko Kimura, sem a qual esta edição do The Rabadas Cinema Clube não teria ocorrido.
Desde a primeira vez que eu vi e ouvi Moreira da Silva (1902-2000), num filme do Ivan Cardoso, fiquei impressionado com seus sambas cinematográficos. Moreira cantou sambas inspirados em filmes de bang-bang, de espionagem, de cangaceiro (gênero muito popular no cinema brasileiro nas décadas de 50 a 70). Tem até um samba onde ele “atua” ao lado de James Bond e Claudia Cardinale (”Moreira da Silva Contra 007″). Então, o meu amigo e parceiro de tantos filmes, o Victor — ou Godô Quincas, como é conhecido no Rio — escreveu o argumento de Operação Morengueira, inspirado nos sambas do Kid Morengueira. Ele me contou esta estória e eu falei na hora: vamos filmar isso!!!










Japão - Brasil - Japão: são 100 anos de história de um movimento migratório. Freqüentemente as pessoas relacionam a ida dos japoneses para o Brasil e de seus descendentes para o Japão de forma muito superficial. Dessa maneira, nem parece que se trata de uma mesma história, de um movimento contínuo. É como se a História fosse feita de fragmentos, não de processos.





