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Saikooooooo! The Rabadas Vol.2

Saikoo, em japonês, quer dizer muito bom, de alto nível, ¨irado¨, em bom carioquês. Saikoo é a melhor palavra para resumir o que rolou no restaurante Que Bom! de Asakusa no último dia 3, na segunda edição do The Rabadas Cinema Clube. Tivemos mais de 60 pessoas que curtiram os quatro filmes exibidos e os três DJs que tocaram na noite.

Abertura dos trabalhos foi com o primeiro episódio da série Acadêmicos do Morrinho, que conquistou o público com muita ginga e simpatia. A estória do MC que vira puxador de samba divertiu os japoneses. Depois, a galera curtiu Operação Morengueira, o filme que traz a música de Moreira da Silva como pano-de-fundo para uma chanchada policial na Lapa. O carnaval de Olinda foi a estrela de 40 Dias, um documentário onde o público descobriu que o sagrado e o profano andam de mãos dadas.

Depois de um breve intervalo, onde a galera saboreou o buffet especial preparado para o evento, foram exibidos o segundo episódio de Acadêmicos do Morrinho e o documentário Manguetown, que mostrou a origem e as influências do movimento Manguebeat. Ao final da projeção, o público aplaudiu e teve gente que se emocionou com o belo retrato de Chico Science, morto prematuramente num acidente de carro.

Antonio Yodobashi (foto: Marcelo Ikari)

Depois dos filmes, os DJs incendiaram a pista de dança. Minoru Takahashi fez a festa dos amantes da música soul brasileira. Já Antonio Yodabashi desencavou sucessos dos anos 60 e 70 e botou o povo para dançar. Por fim, Yoshihiro Narita mandou funk carioca e hip-hop, fechando o evento com chave de ouro.

Yoshihiro Narita (foto: Marcelo Ikari)

A segunda edição do The Rabadas Cinema Clube trouxe duas novidades. A primeira, e mais gostosa, foi o buffet de comida brasileira. Nesta edição, os convidados saborearam o melhor dos pratos produzidos pela excelente cozinha do restaurante Que Bom!. Por módicos 1000 ienes, comeu-se salada, arroz, feijoada, almôndegas, linguiça, rabada, cupim e frios variados. Quem optou por algo mais light, pagou 500 ienes pelo buffet de saladas e frios.

Minoru Takahashi (foto: Marcelo Ikari)

Outra grande novidade foi o The Rabadas Zine, onde a galera pôde se informar mais sobre os filmes exibidos. No zine, uma participação mais que especial: a jornalista Bruna Siqueira Campos, do jornal International Press e do blog Panorama Nihon, escreveu um belo texto sobre o carnaval de Olinda. Quem quiser, pode baixar o zine clicando aqui.

A próxima edição do The Rabadas Cinema Clube vai rolar no Que Bom! no dia 5 de outubro. Fique de olho no blog para ter informações.

P.S.: Os dois vencedores dos CDs da Tupiniquim Entertainment e Koala Records foram

Rubens Almeida Miyashiro - CD Pascoal Meirelles Trio
Masahiro Matsuzawa - CD Consuelo de Paula

Ambos serão contactados por e-mail.

P.S.2: Também queremos agradecer a algumas pessoas que foram especialmente ¨especiais¨ nesta edição do The Rabadas Cinema Clube: Marcelo Ikari, Candy Saavedra, BussTrio, Bruna Siqueira Campos, Ricardo Yamamoto e Lyncoln Saito. Também agradecemos ao nosso parceiro Que Bom e aos diretores Chico Serra, Clara Angélica e à produtora RTV de Recife e Pedro Paulo Carneiro. Por fim, agradecemos, ainda, à Tupiniquim Entertainment.

P.S. 3: Apresentamos o nosso mais novo membro: Sarah Chieko Kimura, sem a qual esta edição do The Rabadas Cinema Clube não teria ocorrido.

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Entrevista com o diretor Chico Serra, de “Operação Morengueira”

Chico Serra mostra nesta edição do The Rabadas Cinema Clube a película Operação Morengueira. Rodado em meio ao carnaval de rua do Rio de Janeiro, o filme traz como personagem-título o sambista Moreira da Silva, também conhecido como Kid Morengueira. Moreira, falecido em 2000, é considerado uma das encarnações da malandragem carioca. No filme, ele tem uma aparição surpreendente e salva a zona boêmia da Lapa de malfeitores. A película é mergulhada na estética do Cinema Marginal, um movimento que mexeu com as estruturas do cinema brasileiro nas décadas de 60 e 70. Como um bom representante do estilo, o filme mostra o submundo e tem como “narrador” um programa de rádio, homenagem explícita ao clássico O Bandido da Luz Vermelha, de 1968.

Qual a idéia que levou você a fazer Operação Morengueira?
Desde a primeira vez que eu vi e ouvi Moreira da Silva (1902-2000), num filme do Ivan Cardoso, fiquei impressionado com seus sambas cinematográficos. Moreira cantou sambas inspirados em filmes de bang-bang, de espionagem, de cangaceiro (gênero muito popular no cinema brasileiro nas décadas de 50 a 70). Tem até um samba onde ele “atua” ao lado de James Bond e Claudia Cardinale (”Moreira da Silva Contra 007″). Então, o meu amigo e parceiro de tantos filmes, o Victor — ou Godô Quincas, como é conhecido no Rio — escreveu o argumento de Operação Morengueira, inspirado nos sambas do Kid Morengueira. Ele me contou esta estória e eu falei na hora: vamos filmar isso!!!

Queria que você falasse um pouco da figura do Kid Morengueira e o que ele representa na cultura popular carioca.
Moreira da Silva, o popular Kid Morengueira, viveu e cantou durante seus 98 anos. Representou, antropologicamente, a malandragem dos bairros boêmios do Rio, em sambas antológicos. Moreira pesquisava e reinventava, brechtianamente, a malandragem em seus sambas. Em uma entrevista ao radialista Hilton Abi Rihan, perguntado se sua malandragem vinha desde “rapazinho”, ele responde: “não, foi o meio ambiente, andando no meio ambiente, observando, pesquisando…”. Morengueira inventou o samba de breque, o samba-teatro, o samba cinematográfico, nas parcerias com Miguel Gustavo, onde interpretava personagens de um cinema musical, uma radionovela, ou um samba cinematográfico.

Como e quando foram realizadas as filmagens e como a equipe trabalhou?
Para mim, a produção deste filme é um milagre que não sei bem explicar. Quem conseguiu negativos de graça foi a Kodak e o Léo Duarte, da Plus Ultra. Nós não tivemos nenhum apoio de lei de incentivo nem nada. Só depois conseguimos apoio para finalização, com o Guilherme Whitaker . Toda a equipe técnica e o elenco trabalhou de graça, até o Jards Macalé, que no filme interpreta ele mesmo e o Kid Morengueira. Macalé recebeu o chapéu de palha de Moreira da Silva, num de seus últimos shows, herdando simbolicamente a malandragem musical de Moreira. E apesar de toda a precariedade que o filme tinha, todo dia de filmagem parecia que a gente estava numa festa.

O filme tem um quê de experimentalismo, bebe na fonte do cinema marginal e da Boca do Lixo. Como é fazer esse tipo de cinema no Brasil hoje? Há espaço para esse tipo de obras?
O filme é inspirado na obra musical de Moreira da Silva, mas também no cinema marginal ou cinema de invenção feito no Brasil entre os anos 60 e 70. A crítica Ivana Bentes disse que o filme é inspirado especialmente em O Bandido da Luz Vermelha, de Rogério Sganzerla, mas só descobrimos isso depois de filmar. Tem muita influência da chanchada e do western italiano. No Brasil, o cinema experimental existe e tem novos autores se arriscando em 16mm e no cinema digital como Ivo Lopes Araújo, Nilson Primitivo, Cris Miranda, Godô Quincas, a produtora Teia de Minas Gerais, e a Plus Ultra do Rio. Tem muita coisa, não dá para citar todo mundo. Há um relativo espaço em algumas mostras e festivais, mas é um caminho bastante arriscado profissionalmente falando. Daí muitos destes autores migram para o documentário ou tentam trabalhar com filmes de encomenda para sobreviver.

E a Lapa? Qual a tua relação com esse espaço tão especial do Rio de Janeiro?
Fizemos, eu e Godô, uma intensa pesquisa antropológica na Lapa, de 2002 a 2005. Conhecemos alguns antigos moradores e eles até estão homenageados no filme: Valdemar Madrugada e Bob Estrela. A Lapa, na década de 30, foi a fonte de Kid Morengueira e de tantos outros sambistas. Hoje a malandragem é outra e o samba é quase institucionalizado, salvo poucas exceções. O filme é um pouco sobre isso também: a transformação da cultura em mercadoria. A invasão da Lapa por um bandoleiro que distribui dólares e balas é uma metáfora.

O que você sugere que o público japonês preste atenção em Operação Morengueira?
A música de Moreira da Silva, o último dos malandros, o rei do gatilho, o inventor do samba de breque. Sua trajetória musical, das marchas carnavalescas 30 até as crônicas da malandragem, sambas religiosos e sambas inspirados no cinema.

Mais informações sobre a próxima edição do The Rabadas Cinema Clube, clique aqui.

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Cineclube Na Embaixada do Brasil - 24 de julho

O Cineclube Embaixada é um evento feito em parceria com a Embaixada do Brasil em Tóquio e consiste em exibições privadas e gratuitas de filmes brasileiros. Quem quiser participar da exibição deve escrever para o e-mail <cultural@brasemb.or.jp>, dizendo no assunto o nome do filme que deseja assistir. Todas as obras são legendadas em inglês. Portanto, atenção ao convidar amigos que não entendem português.

O evento é realizado no auditório Manabu Mabe da Embaixada do Brasil que fica localizada no endereço:

Minato-ku Kita-aoyama 2 - 11 - 12

cerca de 10 minutos a pé da estação de metrô Gaien-mae da linha Ginza.

Proximo filme:

São Paulo Sociedade Anônima (Brasil, 1965)


direção: Luís Sérgio Person

elenco: Walmor Chagas, Etty Fraser, Eva Wilma, Darlene Glória

sinopse: São Paulo Sociedade Anônima se passa no momento de euforia desenvolvimentista provocada pela instalação de indústrias automobilísticas estrangeiras no Brasil no final dos anos 50. O filme conta a história de Carlos, que segue a trajetória da maioria dos jovens de certa camada da classe média paulistana. Guiando-se pelas oportunidades imediatas que a sociedade oferece, ingressa numa grande empresa. Logo depois, aceita um cargo numa fábrica de auto-peças, da qual torna-se gerente. A certa altura, encontra-se na pele de um chefe de família, que trabalha muito, ganha bem, mas vive insatisfeito. Sem um projeto pessoal de vida ou perspectivas de se opor à condição que rejeita, só lhe resta fugir.

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Entrevista com o diretor Roberto Maxwell

Roberto Maxwell é formado em geografia pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro e em cinema pela Universidade Estácio de Sá. Realizou mais de uma dúzia de projetos em curta-metragem, nos mais diversos formatos. Um deles, Dekassegui, trata da realidade dos brasileiros vivendo no Japão. Atualmente, faz mestrado em ciências sociais na Universidade de Shizuoka e estuda a questão da identidade dos brasileiros nascidos na Terra do Sol Nascente. Está finalizando o curta-metragem Pátria Amada, Brasil, rodado durante uma intervenção realizada no Brazilian Day de Tóquio, em 2007.

Roberto MaxwellとThe RabadasのSabrina Hellmeister

1. Qual é a idéia por trás de Tá Tudo Dominado?
Tá Tudo Dominado foi rodado quando eu ainda era estudante de cinema, no Rio de Janeiro. Quando eu era mais novo, morava na Baixada Fluminense, onde o maior lazer eram os bailes funk. Eu cresci escutando que baile funk era lugar de bandido. Minha família era evangélica e eu, logicamente, nem pensava em ir num baile funk. Mas, é uma cultura muito forte, não tem como você não ser envolvido, mesmo sem ser frequentador. Quando eu entrei para a faculdade de geografia, tive uma colega que era funkeira, conhecia todas as músicas e coreografias. Através dela, fui tendo um olhar diferenciado do funk. Quando, finalmente, eu entrei para a faculdade de cinema, tive a idéia de fazer um documentário que mostrasse as relações entre a classe média e o funk. Porém, nossa personagem furou e eu parti para o desconhecido, com uma câmera e uma pequena equipe. A gente procurou o DJ Marlboro que abriu as portas do mundo do funk para a gente fazer o nosso filme. Daí, visitamos bailes e conhecemos artistas. Pegamos depoimentos com autoridades e o filme se fez na montagem. Fala-se de movimento funk mas, no fundo, o que vimos foi que há muitas vozes e elas entram em embate com a mesma facilidade com que se concordam. E o filme reflete isso.

2. O filme tem diversas cenas de bailes funk. Como foi filmar nesses locais?
Filmamos bailes em quatro locais diferentes. Um foi na Baixada Fluminense, numa área bem distante do centro. Era o típico baile que eu escutava de longe, quando morava por lá. Foi bem bacana, era um baile tranquilo. Depois, fomos à Barra da Tijuca, num baile onde a maioria dos frequentadores era de classe média e alta. O local era uma quadra bacana e tal. Foi um baile bom, mas não tinha o mesmo groove. Depois, fomos ao baile do famoso Castelo das Pedras, na favela do Rio das Pedras. Ali, sim, tivemos um bom naco do que era um baile funk, da capacidade integradora da festa. Como a favela fica perto da Barra da Tijuca, uma espécie de Odaiba do Rio de Janeiro, há gente de todas as classes sociais. No baile, vimos travestis, por exemplo, um grupo que nem sempre é bem-vindo em determinados círculos. Elas estavam lá, bonitas e se divertindo, sem que ninguém as importunasse. Por fim, filmamos uma festa na Rocinha. Foi bacana, também. Mas, era uma festa fechada, voltada para os artistas do funk. Não foi tão badalada.

3. O funk carioca ainda é um ritmo marginal no Brasil, mesmo depois de tanto sucesso?
Muita coisa mudou da época em que filmamos o Tá Tudo Dominado para cá. O funk carioca, hoje, é conhecido internacionalmente. Mas, você vê, o maior artista internacional de funk carioca é o Bonde do Rolê, uma banda de Curitiba, meninos de classe média que, pelo acesso que têm, souberam como e tiveram como internacionalizar o funk. Nada errado nisso, exceto uma coisa: o funkeiro de favela não vai tão longe por algum motivo, não acha? Não creio que seja talento (ou falta dele) mas, sim, acesso. Nisso, o funk ainda é marginal. Quem faz funk no Brasil é pobre e não tem tanta instrução. Portanto, não pode participar da internacionalização do funk. Nem sei se eles querem, mas é fato que não foram eles que chegaram “lá”. Outra coisa bacana é que o funk, assim como o brega do norte do Brasil, representam um tipo de indústria típica de situações de pobreza. Não há grandes gravadoras no funk. Poucos discos chegam às lojas, no formato tradicional, CD com embalagem assim ou assada. A maioria chega direto na mão dos camelôs, os mesmos que vendem CDs piratas de artistas de grandes gravadoras, por um preço que o pobre pode pagar. Aliás, nem todo mundo grava álbum no mundo funk, como ocorre com outros artistas. O funkeiro vive de show. E, para fazer show, ele precisa de uma música. Essa música vai pro baile e, se for aprovada pelos frequentadores, vira sucesso e garante a subsistência do artista e mais renda para a equipe de som. Então, o funk faz um tipo diferente de negócio, fora das grandes gravadoras. Parafraseando Hélio Oiticica, isso é mais que ser marginal. Isso é ser herói.



4. O que você sugere que o público japonês preste atenção em Tá Tudo Dominado?

Acho legal que o público procure entender o funk como um ritmo popular brasileiro. Seria bacana que eles vissem como as pessoas que fazem o estilo são estigmatizadas pela sociedade e, na medida do possível, comparassem essa história com a do samba, no início do século XX. É difícil porque, embora os japoneses conheçam samba e gostem de samba, muitos não conhecem a história do samba. Então, se eles não conseguirem relacionar isso, que eles balancem com o batidão do funk. Isso já vai ser, para mim, uma grande alegria.

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Entrevista com Luciano Vidigal, diretor de Neguinho & Kika

Luciano Vidigal é ator do Grupo Nós do Morro há 15 anos, tendo participado de várias peças e filmes. Atualmente, dá aulas de teatro e cinema e está dirigindo novos curtas. É um dos diretores do projeto em longa-metragem Cinco Vezes Favela - Agora Por Eles Mesmos, idealizado por Cacá Diegues (Deus É Brasileiro, Xica da Silva, Bye Bye Brasil), um dos diretores do projeto original Cinco Vezes Favela, rodado em 1962 e um dos marcos do Cinema Novo brasileiro.

1. Qual a idéia por trás do Neguinho & Kika?
O filme se baseia numa história pessoal e mostra como o tráfico de drogas é extremamente atrativo e forte nas favelas cariocas e acaba sendo uma opção para jovens sem oportunidade e auto-estima baixa. O Neguinho do filme é meu irmão mais novo e eu sou o padrinho que aparece no filme. Tinha esse roteiro escrito há muito tempo e o Cavi [Borges, diretor de Pretinho Babylon] ajudou a botar o projeto pra frente.

2. O filme foi rodado dentro do projeto Nós do Cinema. Explique para nós o que é o projeto:
Na verdade não é Nós do Cinema é Nós do Morro. As pessoas sempre confundem. O Nós do Morro já existe há 20 anos como grupo teatral e há 10 como núcleo de cinema. Seus integrantes são moradores do Morro do Vidigal [na zona sul do Rio de Janeiro]. O Nós do Cinema passou a existir depois do filme Cidade de Deus e abrange pessoas de várias comunidades. O projeto Nós do Morro foi criado há vinte anos como uma escola de teatro. Só depois de 10 anos foi que a Rosane Svartman [diretora do filme Como Ser Solteiro, dentre outros] e o Vinícius Reis criaram um núcleo de cinema lá. O núcleo funciona como uma espécie de escola de audiovisual, onde aprendemos teorias e práticas cinematográficas. Comecei como aluno e hoje sou professor de lá. Sou um multiplicador. As aulas são gratuitas e os alunos são os moradores da comunidade.

3. Como foi feita a seleção dos atores? Eles são moradores do Vidigal, certo? Como o filme afetou a vida deles?
Todos os atores são do grupo Nós do Morro. Lá tem cerca de 500 alunos de teatro, por isso ator bom é o que não falta. O personagem principal é [feito pelo] meu outro irmão. Quando fazemos nossos filmes, todos querem participar de alguma forma. Mesmo que seja varrendo o set. Sabemos que, depois, esses filmes vão rodar o mundo e ficamos muitos orgulhosos de ver nossa comunidade mostrando a cara. Em relação a mudar alguma coisa depois do filme, sempre muda mas, atualmente, a galera já está se acustumando com essa profissão e não fica mais deslumbrada, não. Para nós tambem é um trabalho e encaramos como tal.

4. A idéia que as pessoas no Japão tem da vida na favela é associada com violência. Como foi filmar dentro dessas condições?
Na favela não é só violência, não. No Vidigal devem ter no máximo 30 bandidos e cerca de 100.000 moradores. Lá tem trabalhador, artistas, pessoas comuns, como em qualquer lugar. Acho até bem tranquilo morar lá. Lógico que esse submundo é muito louco e acaba marcando nossas vidas. Não quero com esse filme contribuir com essa imagem que nas favelas só tem violência. Mas precisava contar essa história. Ele marcou a minha vida e da minha família. Na verdade, encaro o filme como uma história de amor. Em relação às filmagens, elas foram bem tranquilas e não tivemos problema com os traficantes. Mas. é lógico que eles sabiam o que estava ocorrendo.

5. O que você sugere que o público japonês preste atenção em Neguinho & Kika?
Como o Brasil é diferente da realidade deles e como aqui existe esse disparato social, onde os ricos são muito ricos e os pobres muito pobres. E apesar disso tudo, vivemos lado-a-lado no dia-a-dia. É a famosa cidade partida. Talvez, essa situação dos traficantes devem ser semelhantes à yakuza japonesa, onde o dinheiro fala mais alto e tem suas proprias leis e regras.

Neguinho & Kika será exibido no próximo The Rabadas Cinema Clube. Saiba mais sobre o evento aqui.

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Entrevista Com O Diretor de Pretinho Babylon

Cavi Borges é formado em Economia e atualmente finaliza a faculdade de cinema. É fundador da Cavídeo, locadora alternativa especializada em filmes de arte. Foi um dos responsáveis pela ressurreição do movimento cineclubista no Rio de Janeiro. Atualmente tem se dedicado a difusão do formato curta-metragem através do seu projeto Curtas na Prateleira. Também realizou vários curtas de ficção e documentários. Ano passado ganhou o prêmio de jovem empreendedor do cinema brasileiro e foi representar o país em Londres na etapa internacional. Acabou de finalizar, junto com Emílio Domingues, seu primeiro longa documental, L.A.P.A., que fala do movimento hip-hop do Rio de Janeiro.

©CinePE

Qual a idéia por trás do Pretinho Babylon?

O Pretinho é uma espécie de refilmagem de um clássico filme jamaicano de 1978 chamado Rockers. Nesse original, os atores eram músicos conhecidos de reggae e o filme tinha por objetivo difundir essa música pelo mundo. Assim, tentamos recriar a Jamaica no Rio de Janeiro e também usar apenas músicos como atores. No Pretinho temos Mr. Catra, um ícone do movimento funk, BNegão, outro ícone do hip-hop do Rio, alem de vários outros nomes do cenário musical underground da cidade. As vozes são dubladas toscamente como no Rockers original. A Polysom, última fábrica de vinil do Brasil serve de cenário no início do filme, e assim vai. É uma espécie de musical com trilha composta especialmente para o filme pelo sound system Digitaldubs, que é especializado em música jamaicana.

O filme é um bike-road movie. Como foram pensadas as filmagens e, em especial, a fotografia?

No Rockers, o personagem principal vendia disco pela Jamaica com sua moto toda enfeitada pelos símbolos rastafári. No Pretinho, usamos bicicleta pintada com cores da bandeira da Jamaica. Na fotografia, usamos 2 fotógrafos, um com uma mini-dv onde as cores eram ressaltadas com uma saturação especial e a outro com um super-8 para lembrar a estética dos anos 70 como do Rockers. Queriamos um filme bem colorido e tambem com um look oldschool.

pretinho-vinil.jpg

O filme conta com nomes (atores/artistas) de gêneros que são vistos, de certo modo, como marginais no Brasil, como o funk carioca e o dub. Como vocês chegaram a esses nomes?

Chegamos atraves do Digitaldubs que vem utilizando esses músicos em seus trabalhos, tentando criar e desenvolver o dubstyle no Brasil.

É verdade que a fábrica de vinil que aparece no filme era a única da América Latina e fechou? Como foi filmar lá?

Ficamos quase três meses negociando a filmagem lá. Os donos não queriam deixar, em hipótese nenhuma, pois tinham tido uma experiência traumática no passado. Então, chegamos lá na cara de pau com toda a equipe e forçamos uma barra pra rolar. Queríamos muito filmar lá pois ela fica em Belford Roxo, bairro onde o movimento reggae começou no Rio. Sem falar da própria importância histórica dessa fábrica para a música carioca e brasileira. Infelizmente, logo depois dessa filmagem, a fabrica fechou. Esse deve ser o último registro de lá.

O que você sugere que o público japonês preste atenção em Pretinho Babylon?

É um filme bem difícil pois faz o tempo todo referência a outro filme. Quem viu Rockers fica amarradão nesse filme. Alem das referências, tem a piada da dublagem que os japoneses não vão entender. Tem, também, os atores-músicos que são conhecidos principalmente no Rio e que os japoneses também não vão ter com referência. Acho que o que pode interessar mesmo ao público japonês é a cidade do Rio de Janeiro. Ela é um verdadeiro personagem do filme e mostra um lado mais alternativo que não aparecem nos cartões postais.

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The Rabadas Cinema Clube - A Festa

Correção: A festa será no dia 6 de julho, não no dia 7 como estava escrito aqui no site.

No dia 6 de julho, será a festa de estréia do The Rabadas Cultura Clube.

July, 6th is the great day of

THE RABADAS CINEMA CLUBE

3 CURTAS/SHORT MOVIES + 4 DJs

FILMES/MOVIES

(português com legendas em inglês e japonês/Portuguese with Japanese and English subtitles)

Tá Tudo Dominado (It’s All Dominated)

diretor/director: Roberto Maxwell
28min/documentário/Brasil/2003
28min/documentary/Brazil/2003

A cena funk carioca esquadrinhada pelos seus principais atores.

The Rio de Janeiro’s baile funk scene introduced by its main actors.

Pretinho Babylon
pretinho-vinil.jpg

diretor/director: Cavi Borges e Emilio Domingos
17min/ficção/Brasil/2007
17min/fiction/Brazil/2007

Um rastafári vivendo na Grande Babylon. Rio de Janeiro, cidade dub.
A rastaman living at the Great Babylon. Rio de Janeiro, dub city.
Neguinho & Kika
neguinho-e-kika.jpg
diretor/director: Luciano Vidigal
18min/ficção/Brasil/2005
18min/fiction/Brazil/2005

O trágico destino do primeiro amor de dois adolescentes da favela.
Two teens and the tragic destiny of a first love inside the ghetto.

DJs
Loco2
(baile funk)
DJ Popozuda (baile funk)
Shinji (Música Negra Brasileira/Brazilian Black Music)
Antonio Yodobashi (MPB 60’s & 70’s)

local/venue
Que Bom! Brazilian Restaurant
Tokyo-to Taito-ku Nishi-Asakusa 2-15-13 B1F
tel: 03-5826-1538
www.que-bom.com

acesso/access:
Tokyo Metro Linha Ginza, Est. Tawaramachi, Saída 3, 3 min a pé
Tokyo Metro Ginza Line, Tawaramachi Sta., Exit 3, 3 min walking

2008.07.06
18:00 OPEN 19:30 START ~ LAST TRAIN
¥2000 - 1 drink
Menu especial apenas com petiscos, a partir de ¥300
Snacks menu only (from ¥300)

more info
www.therabadas.wordpress.com
090-3242-2247 (Japanese)
080-5453-7629 e 09056324979 (português/English)
rabadas@gmail.com

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Um Senhor do Brasil - Visitando Brasileiros No Japão

por Roberto Maxwell

Cartaz de Japão - Brasil - Japão: são 100 anos de história de um movimento migratório. Freqüentemente as pessoas relacionam a ida dos japoneses para o Brasil e de seus descendentes para o Japão de forma muito superficial. Dessa maneira, nem parece que se trata de uma mesma história, de um movimento contínuo. É como se a História fosse feita de fragmentos, não de processos.

Nanako Kurihara é uma das pessoas que pensam diferente da maioria. Ela acredita nas conexões entre tempo e espaço e esse é a mais preciosa característica de Um Senhor Do Brasil - Visitando o Japão, seu mais recente documentário. Nesta obra, a diretora acompanha o senhor Konno, nascido no Japão há 92 anos e vivendo no Brasil há 72. Ele retorna ao seu país de origem não para falar de passado, mas para pensar o futuro.

Nanako Kurihara

Sem se afetar por saudosismos ou buscar emoções baratas, a diretora tira de seu personagem histórias de vida, lições e exemplos de alguém que vem vivendo uma vida transnacional há muito mais tempo que todos nós. Por tudo isso, que não é pouco, Um Senhor do Brasil - Visitando o Japão já chega como uma obra indispensável para quem quer pensar as relações migratórias entre o Japão e o Brasil.

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Site do filme

http://amky.org/documentary/senhorp/index.html

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